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A briga entre Wanderlei Silva e Chael Sonnen no TUF Brasil 3 depõe contra tudo que foi conquistado e construído pela marca UFC ao longo dos anos.

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Desde a sua criação e o inicio de sua jornada no mundo, há mais de 20 anos, o UFC enfrentava uma série de resistências para sobreviver como esporte ou mesmo entretenimento. A falta de regras e organização levava os espectadores e as entidades públicas a uma associação imediata da modalidade com a violência.

Em meio à crise e a perda cada vez mais frequente de público, Dana White e os irmãos Fertitta (amantes de artes marciais) viram na compra da franquia uma oportunidade de virar o jogo. Não foi golpe de sorte. Com maior profissionalismo, organização, regras claras e muito marketing, eles resgataram o UFC das cinzas e o transformaram na maior marca mundial de artes marciais.

O TUF (The Ultimate Fighter), organizado nos Estados Unidos, foi uma grande sacada nesse processo. O reality show passou a mostrar os bastidores das competições e a vida e o dia a dia dos atletas, que são pessoas comuns atrás de seus músculos e a explosão nos octógonos. A produção começou a exibir a disciplina, dedicação, técnica, treino, emoções e sonhos dos atletas. E o mais importante: o lado humano desses verdadeiros “gigantes do ringue”.  Tudo que desmantelava a tese de que os lutadores são apenas caras que gostam de brigar. Aliás, há um lema quase obrigatório para qualquer arte marcial: “lutadores não brigam na rua”.

No Brasil, o MMA cresce vertiginosamente, mas ainda não parece ter passado de febre ao status de consolidado, pelo menos para o consumidor, apesar de alguns números impressionantes. O TUF Brasil 3 deveria ajudar nesse processo, principalmente agora que o maior ídolo brasileiro no esporte (Anderson Silva) está de molho desde a fatídica luta de revanche contra Weidman, quando fraturou a perna.

Deveria… Mas ontem a Rede Globo, que transmite o reality show no País, exibiu o episódio no qual Silva e Sonnen saem literalmente na mão depois de trocas inexplicáveis e grotescas de ofensas. O maior absurdo foi protagonizado por um dos técnicos de Wanderley, que esmurrou as costas do americano durante a briga, que por pouco não virou uma confusão generalizada.

Sensato, foi um dos competidores.  “Não vale a pena cara, por favor, não faça isso. O nosso sonho está em jogo”, disse a Wanderley. Pelo teaser da Globo, o próximo episódio vai mostrar a bronca de Dana White em Wand e Sonnen e a demissão do técnico que agrediu o americano. Mas isso não deve apagar a cena deprimente da briga, que parecia protagonizada por garotos do colegial.

Tamanha falta de profissionalismo parece não combinar com o UFC. Já no TUF Brasil, além do horário (ontem o episódio terminou quase às 2 da manhã) e da briga, os teatralismos baratos de Wanderley Silva e Chael Sonnen estão mostrando um lado apelativo do programa. O UFC precisa entender que o MMA deixou de ser chamado de “vale tudo”, seja no octógono ou na audiência. Será que isso tudo é necessário? Qual será a imagem que o UFC quer construir nos próximos anos?

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